domingo, 17 de dezembro de 2017

Os ventos que movem Barra Grande e favorecem a economia do Piauí

Praia, ao Norte do Piauí, é referência mundial na prática do kitesurf, esporte que mudou a rotina da comunidade e continua impulsionando o desenvolvimento local.

Kitesurf, o esporte aquático que transformou Barra Grande no litoral Piauiense.

O céu de Barra Grande, há pelo menos uma década, não é mais o mesmo. O colorido das pipas diante da imensidão do mar revela o cenário preferido dos praticantes de kitesurf. O esporte aquático transformou, e continua mudando, a rotina da pacata comunidade que, ano após ano, vê sua praia tomada por turistas e, principalmente por europeus, em busca de aventura e tranquilidade.


Ariosto Ibiapina foi um dos primeiros empresários a enxergar no esporte uma oportunidade de investimento. “Comecei a andar de kite há 16, 17 anos, quando o kite entrou no Brasil. Sempre gostei de praticar esportes e achei aquilo muito bonito e fui a Jericoacora com um amigo. Lá, vimos um americano andando de kite e resolvemos aprender a andar naquele negócio”, lembra.


O colorido do céu de Barra Grande chama a atenção dos visitantes.

E foi observando o crescimento do esporte que Ariosto resolveu apostar no ramo. “Logo logo, percebemos que, dentro da esteira do kite, vinha um mundo de negócios, o cara que fazia o transfer para levar os kitistas para praias diferentes; o próprio kitista que, geralmente, é uma pessoa de idade mais avançada, na faixa dos 30, 40 anos, que já é um profissional, que tem renda própria e, quando ele viaja, quer conforto, tranquilidade e aí começaram a surgir as pousadas, os restaurantes, pizzarias, os meninos para dar aula, os meninos para consertar kite e vender material de kite”, relata.



A consolidação do esporte na região é tamanha que já tem adolescentes da comunidade medalhistas em mundiais. “Sempre há uma integração muito grande da comunidade com o kitista, porque ele é um cara muito exigente, ele não quer luxo, mas quer conforto, quer comer bem, estar o mais próximo da natureza possível. E isso foi desenvolvendo as comunidades e, hoje, o mundo todo sabe quem é Piçarrinha, menino filho de pescador, de 15 anos, andando de kite, graças a um projeto social feito em Barra Grande”, ressalta Ariosto ao se referir a Manoel Soares, velejador piauiense que, no início deste mês de dezembro, aos 17 anos, conquistou a medalha de prata no Mundial Jovem de Kitesurf e, em junho, já tinha conseguido entrar na liga profissional da modalidade, World Kitesurfing League (WKL), no estilo freestyle.


Condições climáticas e geográficas

Além dos investimentos empresariais, condições climáticas e geográficas favorecem a consolidação do kitesurf em Barra Grande. Com influência dos ventos alísios, a temporada para a prática do esporte na região chega a oito meses por ano.


“No nosso Nordeste, que vem abrangendo Natal (RN), São Miguel do Gostoso (RN) até Atins (MA), a gente tem a incidência dos ventos alísios, que são ventos constantes, que dependem da angulação do planeta e do movimento de rotação. Então, quando a Terra se posiciona durante o ano do jeito que ela tem que está, esses ventos começam a incidir. Aqui, a gente não tem os ventos térmicos, que são as entradas de massa de ar quente, fria, chuvas, nada disso. São ventos constantes; por isso, a gente tem essa temporada grande, que varia de julho a janeiro, fevereiro”, explica o instrutor de kitesurf, Ivan Artur, que há quatro anos trabalha em Barra Grande.


Além dos ventos, a geografia da praia, que forma uma baía, faz com que o praticante de kite sempre seja ‘jogado’ para a praia, oferecendo maior segurança em caso de acidentes. “Então, você tem o vento que te dá toda essa extensão da praia para praticar, um vento paralelo à costa, à praia, e ele te joga um pouquinho para dentro da praia, ou seja, com essa baía e com o vento incidindo, você pode praticar seguramente. Você pode estar para fora 1,5 km, 2 km, que se você souber o procedimento, mantiver a calma, qualquer incidente que acontecer contigo, você vai parar na praia, você não vai passar a boca do rio, sair descendo, não vai acontecer nada”, assegura. (Virgiane Passos)


“Saber nadar é pré-requisito”, afirma instrutor
Com a difusão do kitesurf em Barra Grande, surgiram também as escolas para aprendizado do esporte. Segundo o instrutor Ivan Artur, o kite é um esporte bem abrangente e basta força de vontade para começar a aprender.


Contudo, Ivan destaca que saber nadar é fundamental para começar a praticar. “Mesmo a gente tendo uma maré seca, a pessoa que sabe nadar reage diferente da que não sabe nadar na hora de um imprevisto”, justifica.


Com relação à idade para aprender, o instrutor revela que a escola tem turma já para as crianças. “Aqui na escola, a gente costuma a trabalhar com crianças de 10 a 12 anos para começar a capacitação. Mas é muito relativo, porque depende do tipo de informação que a criança tem. Tem criança que nasceu vendo isso e está apto a embarcar mais cedo nessa história”, explica.


O instrutor informa ainda que são necessárias de 10 a 15 horas/aula para começar a vivenciar o esporte sozinho, mas este tempo depende da aptidão de cada um e pode demorar mais ou menos tempo para aprender. “Não precisa de muita força no braço, é mais jeito. O aluno, quando está aprendendo, acaba gastando uma energia maior que a necessária; mas depois que ele entende a técnica, o esporte, começa a brincar sossegado”, finaliza.


Por: Virgiane Passos/Portal O Dia

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